O impacto ambiental gerado pelo consumo desenfreado é um tema recorrente de discussões no universo da moda. Estima-se que a cada segundo um caminhão de lixo com produtos têxteis é queimado ou despejado em aterros sanitários. Pensando nisso, empresas e consumidores começam a apostar na economia circular, um movimento que pretende acabar com o desperdício de material têxtil e que envolve desde a confecção de peças com materiais renováveis, até mesmo a transformação de peças em novos itens ou reuso delas. Foi de olho nesse nicho de mercado que nós criamos o nosso brechó de luxo, o @cansei_vendi, que comercializa peças de marcas famosas a preços acessíveis.

Um dos nossos objetivos é mudar a visão dos consumidores sobre os brechós de luxo. A ideia é promover o reuso das roupas, mas de maneira diferente do que estavam acostumados. Desde a seleção criteriosa até a higienização de todas as peças, tudo é feito para agregar à experiência de dar continuidade aos produtos que, se não esquecidos nos closets, teriam como finalidade o descarte. Portanto, comprar em brechós de luxo é uma forma de estar na moda economizando e cooperando com a economia e a moda circular, já que ela envolve não só a confecção como também o descarte ou reuso das peças.

A economia circular e a importância do brechó de luxo

Muitos costumam pensar que economia circular é falar apenas de reciclagem. Mas não é só isso, apesar de ser um tema muito importante! Economia circular é muito mais rica e podemos sugerir outros exemplos de como desenhar, produzir, comercializar e se relacionar com a moda de forma mais responsável e sustentável.

A definição da Fundação Ellen MacArthur, especialista no tema, alega que a economia circular é reparadora e regenerativa pelo design, e visa garantir que os produtos, componentes e materiais em geral mantenham a sua utilidade e valor em todos os momentos. Mas o que é isso?

Inicialmente, é dizer que os designers ou proprietários de empresas têxteis e da moda, devemos desenvolver produtos já pensando em seu “final” – o momento em que o produto não será mais usado – para permitir o seu regresso para o próximo ciclo – seja com relação à sua natureza ou ao próximo ciclo de produção. Um exemplo: um produto feito a partir de fibras recicladas, mas que devido à sua composição têxtil não permite a reciclagem futura ou a decomposição das fibras naturais no ecossistema de forma segura, tem um problema de design. É um produto reciclado, tem seus pontos valiosos no longo caminho da sustentabilidade, mas não foi elaborado com a intenção de regeneração lá no seu começo.

Além de pensar em design, a economia circular traz o conceito de estender o ciclo de serviço de produtos, componentes e materiais. Falamos ciclo de serviço e não ciclo de vida, uma vez que existem muitos produtos que jogamos fora, mas que ainda não “morreram” e podem muito bem continuar a servir o seu propósito (como aquela roupa que compramos no mês passado e agora não gostamos mais).

Entre os modelos de negócios nos quais se aplicam a ideia de extensão estão aqueles que promovem o compartilhamento, a reutilização, reparação e re-fabricação, e o brechó de luxo está entre esses modelos, sendo uma atividade que possui um incrível potencial de extensão de valor. A cada oportunidade de se reutilizar um produto, seus componentes ou materiais, reduzimos pela metade o impacto ambiental inicial, diminuímos o investimento na produção de novos itens, reduzimos a necessidade e dependência de novos recursos – evitando a volatilidade dos preços, consequentemente, se reduzem as emissões de gases, e eliminamos um grande volume de descarte.

Por isso, o brechó de luxo é um importante exemplo de circularidade na moda. O uso de inovações tecnológicas e a facilidade de conexão via internet é seu modelo mais recente. Comprar e vender roupas seminovas em um site está se tornando mais e mais frequente. Pensar em economia circular está na moda, mas não é uma tendência passageira. Economia circular é uma necessidade, assim como o desenvolvimento de produtos e a sugestão de novos modelos de negócios que utilizem de forma mais ampla e eficaz as possibilidades de conexão através da tecnologia digital. Estar ciente dos impactos negativos da moda e absorver o seu conceito de circularidade é um passo fundamental para que o consumo seja cada vez mais sustentável e inteligente.

Como consumir de forma consciente

Pesquisar, questionar e valorizar são caminhos para o consumo consciente. A pesquisa Akatu 2018 – Panorama do Consumo Consciente no Brasil: desafios, barreiras e motivações, divulgada em junho de 2018 pelo Instituto Akatu, revelou que 76% dos entrevistados afirmaram não praticar o consumo consciente. O preço dos produtos sustentáveis foi apontado pelos entrevistados como a principal barreira. Existe uma ideia de que o produto sustentável é mais caro. Na realidade, o que se espera é que seu preço seja justo. E há de se levar em consideração também que são produtos com maior durabilidade.

A falta de informação também apareceu no resultado da pesquisa entre os principais motivos pelos quais as pessoas se mostram tão distante do estado de consciência.

Assim, percebemos que o consumidor precisa pesquisar mais. A busca por informação, hoje tão disponível em ferramentas como sites, blogs, produções audiovisuais, só para citar alguns exemplos, tem tornado acessível um movimento que ainda se mostra como um nicho, mas que precisa e muito ser difundido e ampliado. O consumidor precisa entender como cada produto é feito. Onde é feito. Por quem é feito. De que é feito. Precisa saber qual o impacto daquele produto no mundo, desde a sua forma de produção até o descarte. O que jogamos ‘no lixo’ continua gerando impacto por anos.

Refletir e avaliar os impactos do próprio consumo antes mesmo de chegar ao guarda-roupa é o primeiro passo para quem deseja rever hábitos. A partir dessa discussão, propomos algumas ações como valorizar a mão de obra e produtos locais, e comprar produtos seminovos ao invés de novos. É preciso reduzir, reutilizar e reciclar para se tornar um consumidor mais consciente. Visite o nosso brechó e incentive a moda circular e o consumo consciente!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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